Totó era um vira-lata marronzinho, com a cara de quem sempre tá pedindo desculpa por algo que ainda nem fez.
Bolinha era uma bolinha mesmo — um shih-tzu branco e redondo, que andava como se tivesse nascido em berço de ouro… mesmo tendo vindo da mesma calçada que o Totó.
Viviam na mesma casa. Dois potes de ração, dois cobertores, dois humanos babões. Paz reinando.
Até que, certo dia, apareceu o tapete.
Um tapete novo, felpudo, cheiroso, com aquele jeitinho que convida o corpo a deitar e a alma a esquecer os boletos.
Mas tinha um detalhe: só cabia um cachorro.
Totó viu primeiro e deitou. Bolinha chegou depois e bufou.
Um olhar atravessado aqui, um latido indignado ali, e pronto: guerra declarada.
Totó rosnava. Bolinha reclamava.
Um puxava com a pata, o outro girava em cima feito peão.
Tudo por um pedaço de tapete que, convenhamos, ninguém comprou.
Os humanos assistindo, sem entender nada.
Era só um tapete.
Mas, naquele dia, virou símbolo de status, território e teimosia.
A confusão só terminou quando o aspirador de pó entrou em cena — aquele monstro barulhento que, pra cachorro, é o equivalente ao apocalipse.
Saíram os dois correndo e, adivinha? Foram se esconder… juntos, embaixo da mesa.
Grudadinhos. Tremendo.
Respirando o mesmo medo, dividindo o mesmo espaço.
E foi aí que entenderam.
O tapete era bom, mas a companhia era melhor.
Depois do susto, dormiram lado a lado.
No chão frio mesmo.
E nem ligaram.
Moral da história?
Se até Totó e Bolinha, dois narizes molhados e sem CPF, perceberam que brigar por espaço não faz sentido…
Então, nós, humanos — com tanta razão e tanta fala — já deveríamos ter aprendido que dividir vale mais do que dominar.
Por Fabricio Mattos
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