China aplica sobretaxa de 55% à carne bovina brasileira após esgotamento da cota anual
Com o limite de 1,1 milhão de toneladas atingido no dia 29 de setembro, tarifa adicional entrou em vigor à meia-noite de 1º de outubro e eleva taxa de importação total para 67%.

A China passou a cobrar, a partir da meia-noite de 1º de outubro, uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina provenientes do Brasil. A medida entrou em vigor após os embarques brasileiros atingirem 100% da cota anual estipulada pelo mecanismo de salvaguarda do governo chinês.
De acordo com dados informados pelo Ministério do Comércio da China, a cota brasileira para o ano corrente — estipulada em aproximadamente 1,106 milhão de toneladas — foi totalmente preenchida em 29 de setembro. Pelas regras da salvaguarda chinesa, a taxa extra entra em vigor no terceiro dia após o esgotamento do limite fixado.
Alíquota total salta para 67%
A aplicação do mecanismo de salvaguarda é uma medida de proteção comercial adotada por Pequim para limitar a entrada de proteína animal importada e resguardar a pecuária doméstica.
Com o acionamento da taxa extra sobre os volumes excedentes:
. Tarifa Padrão: 12% (aplicada dentro da cota anual).
. Sobretaxa de Salvaguarda: 55% (aplicada sobre o volume excedente).
. Taxação Total: 67% de imposto de importação sobre os novos embarques até a renovação das cotas.
O Brasil não é o único país afetado pelo mecanismo. A Austrália, outro importante fornecedor de carne bovina para o mercado chinês, atingiu o seu teto anual ainda no mês de junho e também passou a ter os volumes excedentes tributados sob a mesma alíquota.
Negociações e impacto no setor produtivo
Diante da proximidade do esgotamento da cota, representantes do setor produtivo e o governo brasileiro buscaram alternativas diplomáticas para evitar a sobretaxa, incluindo a possibilidade de reaproveitar cotas remanescentes não utilizadas por outros países. Contudo, Pequim manteve as regras estritas da salvaguarda.
A China é o principal comprador da carne bovina brasileira, absorvendo quase metade do volume total exportado pelo país. Com o encarecimento do produto nacional no mercado chinês durante o último trimestre do ano, entidades do setor agropecuário e frigoríficos voltam sua atenção para duas estratégias imediatas:
1 . Diversificação de Mercados: Intensificação das vendas para outros destinos internacionais ativos, como países do Oriente Médio, Sudeste Asiático e Estados Unidos.
2 . Ajustes de Produção e Gestão: Acompanhamento rigoroso das margens de custo por parte dos pecuaristas e readequação do fluxo de embarques para a China, mirando o início do próximo ciclo anual de cotas.